Identidade

Deixa eu te fazer uma pergunta dessas pra revirar um pouquinho a cabeça: agora que já faz uns três meses que estamos confinadas, você se olha no espelho e se reconhece mais ou menos?

Ilustração: Manon de Jong

Não vou falar sobre look para o home office não, tá? Pode ficar tranquila (mas também se quiser pensar no look para o home-office dá para correr no Insta da Roupateca e ver um monte de ideia (; ). Voltando ao assunto, queria falar com você daquela palavra grande que diz um monte de coisa, embora já tão gasta pela publicidade e afins, mas que tanto tem a nos dizer também: identidade.

Para você que não me conhece, eu trabalho lá na Roupateca e acompanhei muitas vezes o espanto de inúmeras mulheres em se observarem pela primeira vez naquele nosso espelho grandão e perceberem que a relação com a moda dizia mais para elas do que elas conseguiram ouvir nos últimos anos. Embora todos os dias escolhendo uma roupa para sair de casa, ir ao trabalho, encontrar os amigos, sair para jantar.

Ilustração: Manon de Jong

Crescemos sob alguns paradigmas que até hoje pairam por aí, veja se concorda: o da moda como uma futilidade, e portanto assunto de menor interesse ou daquela moda de passarela, bem, bem distante da nossa realidade palpável.

Ilustração: Andrea de Santis

Eu costumava propor um exercício que talvez agora em quarentena precise ser adaptando um pouquinho, mas vamos lá: pensa nas últimas vezes que você saiu de casa. Para ir ao mercado, ao banco, seja o que for. Uma coisa em comum entre elas (para além do uso da máscara, espero eu), é que você estava usando roupas. Sim, um exemplo bobo e fácil assim, para nos lembrar que se essa tal de roupa é essencial para nos colocar em contato com o coletivo, cada vez que colocamos uma roupa para sair ou até mesmo para ficar em casa, estamos fazendo uma escolha. Por alguma razão mais racional ou mais subjetiva, selecionamos uma peça e dizemos não para várias outras.

Estamos falando da possibilidade de construir essa identidade para além de estilo e tendência. Construir identidade com o que você acredita, com decisões conscientes que se traduzem na imagem que você coloca no espelho, isso que faz as assinantes que se observaram naquele espelhão gigante da Roupateca se surpreenderem por se reconhecerem. Sabe quando unimos o dentro e o fora? É por isso que roupa nos interessa 😉

Quando te pergunto se mudou alguma coisa quando você se encara no espelho, não tem a ver com uma cobrança com como você deve parecer, viu? Até porque o processo de identidade passa por aceitar que as mudanças acontecem e, sobretudo, abraçá-las. O que eu quero dizer, é que dá próxima vez que se olhar no espelho, antes de qualquer coisa lembre-se que ir atrás da sua identidade vai além do que você precisa afirmar quando sai de casa, mas que se cria entre você e você mesma, seja de pijama ou roupa de festa.

Deixe um comentário