AmarElo: Quando a arte e a moda se encontram com propósito

No último dia 08, o Emicida lançou o documentário “AmarElo – É Tudo Pra Ontem”, uma produção Netflix em parceria com a Laboratório Fantasma que apresenta a gravação do show que o rapper fez em 2019 no Theatro Municipal de São Paulo, com cenas de making-of, além de um denso histórico e reflexão sobre música, negritude brasileira e reparação histórica.

“Muito legal Roupateca, mas por que vocês estão falando sobre isso?” 

Poderíamos destacar nossa admiração e prazer em ter a Laboratório Fantasma como uma das marcas presentes no nosso acervo, assim como a Marca Fala, utilizada como figurino para todos os músicos do show de Amarelo no Theatro Municipal, que também se encontra por aqui e que foi escolhida para o styling do evento pela Marina Santa Helena, outra parceria antiga na Roupateca, que nos orgulhamos de relembrar ter assinado a direção da nossa primeira vez na passarela.

Mas hoje não viemos aqui apenas para celebrar as felizes parcerias que cruzaram nossa história nos últimos 5 anos. Queremos falar de quando a arte e a moda se encontram com propósitos muito caros por aqui: reivindicar consciência, leveza, amor e resistência. Aproveitamos o lançamento desse documentário histórico para relembrar de 5 momentos em que o Emicida e a Laboratório Fantasma nos deram uma lição sobre a moda que queremos (re)construir. 

1. A própria criação da Laboratório Fantasma!

Começar pelo começo, né? A Laboratório Fantasma foi criada em 2009 com uma produção artesanal de camisetas vendidas de mão em mão para apaixonados pela arte urbana e fãs do hip hop. Uma marca independente que nasce do “faça você mesmo” e nos ensina muito sobre o fazer com o outro: conectar pessoas através da representatividade. 

 

Participando de três edições do mais importante evento de moda da América Latina, os desfiles da Laboratório Fantasma inspiraram-se nas ruas com um olhar que discorda e desafia os padrões impostos socialmente e que exalta a diversidade através de um casting composto por modelos negros, brancos, gordos, magros, mulheres, homens, gays e héteros. Nas palavras de Emicida: “Fiz com a passarela o que eles fez com a cadeia e com a favela. Enchi de preto”.

 

3. Emicida no Roda Viva

Em julho deste ano, em entrevista no programa Roda Viva, exibido na TV Cultura, o rapper foi questionado sobre o alto valor atribuído às peças de roupa da marca que divide com seu irmão, Evandro Fióti. Em contraponto a discussão sobre essa moda rápida e barata, Emicida argumentou: “Conheço a cadeia produtiva com a qual trabalho. Quem tem que questionar sobre o preço das coisas que vende são as pessoas que conduzem a cadeia de forma irresponsável, que mantém pessoas em sistema de produção análogos a escravidão”.

4. Um papo sobre moda com Emicida para o Podcast Estilo Possível

Convidado para falar sobre a trajetória da Laboratório Fantasma no Podcast Estilo Possível, conduzido por Marina Santa Helena, Emicida faz uma análise sobre consumo e economia em tempos de pandemia e reflete sobre a moda para muito além de vender peças de roupas, mas a criação de uma comunidade pautada na acessibilidade e identificação.

 

 

 

5. Lançamento do doc AmarElo!

E o impulso inicial para este texto não poderia ficar de fora né? Além de um respiro para terminar o ano com muita arte e inspiração, o documentário nos relembra da potência presente na intersecção das linguagens artísticas: a música, a moda, o cinema e por aí vai. Um grande viva a arte brasileira!

 

Imagem: Jef Delgado

 

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